Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Convite: Jardins portáteis com Jazz

















"Jardins Portáteis são uma criação do artista plástico Leonel Moura composta por módulos em forma de banco que incorporam uma oliveira e alguns arbustos que permite ao utilizador sentar-se e fruir de alguma sombra. Esta instalação está patente ao público junto ao Cais das Colunas no Terreiro do Paço permitindo ao utilizador gozar da proximidade do rio.
Julho ao som do jazz com Gilberto Costa, Paulo Muinos, Marco Pombinho, Alcides Miranda, Pedro Pinto, Miguel Cordeiro, Celestino Dias (Tino), Ricardo Barriga, Joana Alegre e Felipe Fontenelle."

Julho 3 a 5, 10 a 12, 17 a 19, 24 a 26, 31
Agosto: 1, 2 Ago: 16h30-20h30

How the world is reading and translating Murakami

Lisboa e a noite de hoje















Quem aqui estiver, e for um noctívago como eu, ainda pode aproveitar para ir até ao cais. Vá mesmo, que é de lá que venho. Pela cidade correm músicas que desembocam no Tejo, encantamento total.
Amanhã, porque hoje estou com sono, vou ler tudo o que não consegui fazer hoje.
A começar por uma história contada.


Mas deixo aqui este link do du bleu Lisboa e o Bairro Alto

Não há palavras para falar desta cidade. e da lua que namora o rio.

Domingo, 5 de Julho de 2009

1001 noites























Quando o vento chegava à cidade, um vento de verão que mais seria uma brisa, limando as arestas dos telhados e soprando nas telhas, havia, entre todos, os que sabiam que era a hora das histórias.
Nalguns lugares, formavam-se pequenos círculos à sombra das árvores.
Noutros lugares, nos largos da cidade chegavam sós ou em grupos, homens e mulheres, e esperavam que descesse ao solo o aroma limpo do trigo e de maçã.
As cidades encerram por vezes estes sítios que evocam plantas e animais, reminiscências de outros tempos e usos do espaço.

Ninguém sabia de onde vinha, nem quando chegaria, mas ele chegava.
Sentava-se entre eles, e de uma voz baixa que imitava a espuma do mar, começava a contar. Os homens e as mulheres, os velhos e as crianças aproximavam-se para ouvir as histórias e cada um levava para casa a sua versão.
Era uma história sobre um cavalo, dizia um. Não, era uma história Persa, e contava a vida de dois reis, dizia outro.
Assim eram as histórias do homem, que teciam ninhos na cabeça de cada um, ninhos com pássaros que permitiam a cada um voar para onde lhe aprouvesse.

Um dia, de entre a assistência, levantou-se uma mulher. Parecia leve como uma pena, mas a voz não era tão fina como a medida dos seus punhos.
A mulher tinha cabelos que dançavam como algas, e a pele brilhava como um caramelo à luz da lua.
- Onde está o seu cão?, perguntou ela ao homem, que nunca tinha sido interrompido a meio do seu contar.
Na assistência o silêncio era total e ninguém sabia o que iria o contador responder à impertinente.
O homem baixou os olhos, que tinha muito azuis, tê-los-á baixado até à altura da biqueira dos seus sapatos e levantou-os de seguida com suavidade.
- Só tenho um peixe num aquário, respondeu o homem, olhando-a de frente.
Um pequeno aquário redondo e um peixe vermelho.
- Ah, disse a mulher, não sei porque imaginei que moraria esse animal nos seus passos. Uma balada da praia dos cães, foi o que pensei, quando nos contou o mar.

Sábado, 4 de Julho de 2009

David Murray no Estoril Jazz





Ontem à noite, banho de luz, com David Murray, no Estoril.
Cá fora, sobre o mar, a lua brincava com um fogo de artifício.
Obrigada I.!



web site david murray

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

pequenos tempos


Há pelo menos vinte mil segundos parados, à espera de reparação.




Foto: kawara

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Um dia na praia






onde também se contam histórias de peixes (noutra praia.)

e a praia do viajante.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Pina Bausch



Estava no meio do pinhal, mais precisamente na mercearia que há por lá, tinha acabado de comprar garrafas de água, pão e fruta, e estava a pagar. A noticia surgiu de rompante, saída de um qualquer rádio ou ecrã por cima das nossas cabeças. Pina Bauch morreu hoje...
Por detrás da caixa, alinhavam-se as pilhas de revistas e não me lembro de as ver porque ficou tudo turvo. Não queria que isso tivesse acontecido, naquele momento. Nem nunca.
Lisboa, prestou-te homenagem, hoje à noite, iluminando colares de luzes que seguem a linha de água e inclinando-se, como só esta cidade sabe fazer, para o rio e para os teus pés de bailarina pássaro, Pina Bausch.

"Contrairement à ses contemporains, Pina Bausch travaille non pas par rapport à des formes à reproduire, des pas biens définis, mais par rapport à l'anatomie du corps de chacun, aux possibilités qui sont données ou non aux corps. Elle interroge ses danseurs pendant tout le processus de création et creuse la vie de chacun, leur passé, pour les faire danser." ler o resto aqui

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Bairro Alto


Passando rápidamente pelo Bairro Alto, constato com alivio que ainda há pequenas lojinhas tradicionais, mercearias, ateliés, clubes de bairro. Ali mesmo ao lado do Frágil e do Bota Alta, flutua no primeiro andar de um prédio decrépito, a bandeira do Lisboa Clube Rio de Janeiro. Claro que as outras lojas e bares têm também o seu encanto, é essa mistura que faz dele um bairro especial.

Domingo, 28 de Junho de 2009

O planisfério (e o manjerico)


Comprei um manjerico, grande. Trouxe-o para Lisboa e por aqui corre agora este cheiro de planta.
Nem vou dizer como estava o mar, porque estavam lá todos, mas se não estavam, então:
Quente, com gaivotas aos pulos e dunas a perder de vista. É assim este mar que insiste em dar à costa.

E de olhos parados num ponto, longe, depois de pequenas grandes viagens. Lá cabem portos, cidades, pássaros, homens e árvores. O essencial do meu planisfério.

Em Lisboa, o ar está quente e húmido. Acabou de chover.


sobre manjericos aqui e aqui

Sábado, 27 de Junho de 2009

Henri Cartier-Bresson na Maison Européenne de la Photographie




15 abril - 30 Agosto 2009
15 avril - 30 août 2009

Apresentada aquando do centenário do nascimento de Henri Cartier-Bresson, esta exposição propõe um percurso a partir de 340 obras conservadas na maison Européenne de la Photographie, e constitui-se a partir de dois temas: Paris e os Europeus.

Présentée à l’occasion du centenaire de la naissance d’Henri Cartier-Bresson, cette exposition propose un parcours à partir des 340 œuvres conservées à Maison Européenne de la Photographie. Cette collection s’est constituée à partir de deux grands thèmes : Paris et les Européens.

aqui ici Maison Européenne de la Photographie

via e-flux

roupa para pinheiros



Preciso de:
Uma caneta
Duas cadeiras
Três mesas

Quatro candeeiros
Cinco tambores
Seis chapéus de sol (há muito sol)
Sete pentes (muito cabelo)
Oito luas (nem mais, nem menos)
Nove casacos
Dez pratos


Tudo isto para vestir os pinheiros (especiais, porque cheiram a mar).

( a fotografia é da cidade, mas é só para enganar)

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Sem tempo III


Sem tempo, mesmo.
Mas:

a ler e reler o blog da Revista Atlântica, que ainda não foi para o meu blogroll só por falta de tempo. Com a participação do mesmo autor de O que cai do dos dias.
E já agora um novo blog do mesmo O leitor sem qualidades.

Uma escala nos universos nómadas, com sobre a pálpebra da página, o caminheiro possui toda a grande terra. Escute-se e leia-se.

Da vizinha Mesa de Luz, o público sou eu.

O mar hoje estava assim, a cidade, à entrada e à saida, escondia-se por detrás dos barcos (mas já sabemos disso).

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Dias felizes


Porque:
está bom tempo,
gosto de fazer o pino,
a praia está vazia como a casca de uma pevide,
há pescadores a passear no mar (e a pescar sardinhas),
R. já chegou a Nova Iorque,

porque a vida é bela.

(simplesmente)

e agora Baixa, comprar prenda.

fotografia: na net, sem referências

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Sobre a situação no Irão



Bloguistas são presos

Manifestação silenciosa em fotos

Os paradoxos da "Revolução Twitter" no Irão (em Francês)

ambos via Global Vices on Line

Mensagens de Teerão

via le vieux monde qui n'en finit pas

Irão, o desafio, Le Monde

e esta a mais importante de todas, uma petição Avazz
Let Iran Speak

Domingo, 21 de Junho de 2009

pequeños recuerdos


Para me penitenciar por não ter escrito nada cá vai um postzinho de resumo:
1. sobre o Irão, o peso e a importância das redes sociais, vou fazer um post só dedicado ao Irão, porque me sinto, ai sim, culpada por ainda não ter dito nada e há mesmo muito por dizer
2. Barcelona e esta imagem de que gosto muito, que evoca pertenças, unidades, confiança (e a noite).


E depois tanta conversa e tanta, tanta emoção, às vezes com estrelas nos olhos, outras com olhos nas estrelas.
3. e Lisboa vista dos céus, esta cidade que todos os dias nos fabrica novas cores.


4. e bem, nunca se diga talvez depois de dizer não, é mau de fazer.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

barcelonar






trabalhar, passear e hablar (mucho) na cidade com mais galerias, museus e livrarias por metro quadrado.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

arco roda calor








gosto muito desta menina e da sua roda (se calhar não é este o nome técnico da coisa) que se pode ver no Museu Berardo - Arriscar o real.
Sinto-me assim um bocadinho (a andar à roda, só que sem roda), depois de um dia de trabalho que só vai acabar tarde e de uns 40 graus a sul do Tejo.
que mais? O Irão, o Irão, o Irão e nem tempo tenho para colocar aqui uns links.
de resto, atenta aos mundos próximos (extensos, ricos, infinitos?), mas com uma tal falta de tempo (eu, falta de tempo)!
e veja-se esta outra sequência du bleu (outra menina e o mar)

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Sei de um rio...




Ontem à noite no CCB, convidada por amigos, Camané com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o Mário Laginha. Eu nem sou particularmente fã, mas oiça-se este fado que aqui deixo. Beleza absoluta, e isto quando se pensa que ao virar a porta se dá de caras com o Tejo.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Estado líquido


Estou a trabalhar (a tentar), mas tem mesmo que ser, claro que ninguém se rala com isso, mas eu sim.
de manhã fui comprar o pão e havia aquela sensação de frescura no ar, os doidos dos pássaros do costume a encher os céus, e eu pensei cá para mim, como todos os dias penso, que "la vie est belle".
está muito calor e não sei se vou conseguir manter-me em estado sólido. apesar de tudo e nas visitas da manhã, peguei com delicadeza numa rolha de plástico (mas prefiro as de cortiça), cruzei-me com um homme à têtes, penso que já o conhecem, li os Miguéis, do bem-amado Saramago , percorri este artigo interessante sobre o Irão (em Francês, perdão, tradutor google, etc.), varri a escada (mentira), fui à varanda (verdade), olhei para os barcos, mexi assim ao de longe no tejo só para o irritar e voltei para a escrita do meu computador (esse chato).
ontem, o mar estava como nas fotografias, e na praia vazia uma mãe e uma filha procuravam cadelinhas.

Domingo, 14 de Junho de 2009

coisas avulsas












Pequenas coisas avulsas e com importâncias diferentes:
as eleições no Irão, decepção, mas bem, choque anunciado, não ia cair ali de repente uma democraciazinha sem mais nem menos. Sugestão de leitura em Inglês via Global Voices On Line´

Ontem, apresentação do documentário os Mistérios de Lisboa no S. Jorge, baseado no Guia de Lisboa de Fernando Pessoa. Não vi onde se encontrava a leitura cinematográfica da proposta, vi sim, um documentário turistico exaustivo com vistas aéreas e música de aeroporto.

Arraiais: até fim de junho um pouco por toda a parte onde se comem sardinhas, caldo verde, e onde nas noites quentes se fala de tudo e de nada. Ontem, na Madragoa por exemplo uma série deles, uns atrás dos outros. e claro, noitada.

Sábado, 13 de Junho de 2009



















Impressões 1:
Festas de Lisboa e cultura popular (reconheço a imprecisão “sociológica” da definição, mas): bairros que se organizam, investimento individual e colectivo, e alegria, (porque também há muito disso), em tempos de anomia.
Claro que não gosto de ouvir, “Ólhá gájá, muitá boáaa”, sobretudo quando estou acompanhada por uma borboleta (mas a borboleta finge que não ouve e de qualquer maneira passa o tempo a sobrevoar o mundo, se calhar não ouve mesmo).

Impressões 2:
Navegar como: pequena viagem, (berlindes, lápis, menta, papel, etc.) e com o tempo de saborear um chá no deserto. Surpresa: há gémeos aqui perto, penso sempre que são necessários alguns milhares de quilómetros para os encontrar (falo de pássaros que migram).

Impressões 3:
Estar com a S. que escreve poesia desde que nasceu e que me falou do seu amante, e de Amor em tempos de Cólera, é já em si um bocadinho de poesia (tão frágil, tão frágil, quase transparente. Mas: nem lhe encontro rugas no pergaminho que é o seu rosto de 80 anos).

Impressões 4:
Lugares imersos com galinhas dentro. Pronto, está dito, não volto atrás: também são aves, certo?

Impressões 4:
Apesar do sono (aqui todos dormem ainda) quero ir ver o mar antes que o calor mate os frágeis seres humanos que teimamos em ser.
É só porque preciso de beber água.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009






















Ontem telefonou-me a minha amiga D., que vive numa cidade de um país no Norte da Europa. Anunciou-me com a simplicidade de quem corta uma perfeita fatia de queijo:
- Acabou
- O quê?
- A Primavera.
Fui até à janela e constatei a evidência: os pássaros festejavam o fim de tarde quente lançando-se no céu como boomerangs e as fosforescências difusas do rio misturavam-se com o laranja rosado desse mesmo céu. Massas de ar quente deixavam-se empurrar para cá e para lá, e embora não os pudesse ainda distinguir com clareza, começavam a aparecer os primeiros lampiões no céu, aqueles que só ocorrem no Verão, precisamente. Além disso cheirava a menta e a tomilho, o que não é normal para um centro de cidade.

Enquanto ela roía uma unha do outro lado do telefone, e me contava uma história de um pneu furado e de uma pequena estrada acidentada algures no seu país do Norte, sorri para mim própria.
É que ela prefere o Verão.

(Quadro de Baselitz de quem foi emérito aluno o seu marido T.)

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Sem tempo (2)








Porque:
(Es)preguicei até tarde.
Encontrei um ninho na casa da praia.
Avistei dois mares – o da direita alinhavava-se junto à Serra de Sintra, o da esquerda seguia a linha das ondas até ao Cabo Espichel (contemplação, silêncio, espanto, mas sabem que a vossa amiga é dada a essas coisas.)
Confundi um sacho semi-enterrado com um tronco de árvore
Tive que ir ver ao dicionário do Google como se escreve sacho, porque não sou entendida nas artes do cultivo
Leituras no jardim, com os pinheiros a lançarem pinhas à figueira (atrevidos): Murakami, La ballade de l'impossible, penso que não existe versão portuguesa, mas comprado na FNAC
Lisboa ao inicio da noite e vista de ponte é como um postal embrulhado em luzes
Lisboa por dentro, nestas noites de verão, sacode-se e estremece como uma pevide alucinada.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Viajantes e objectos: há noite.






















Hoje à noite duas resoluções: beber um copo de água e afundar a cabeça na janela até perder de vista a última comissura do Tejo.
Mas penso: uma terceira resolução, auscultar os contadores da casa, o da electricidade, da água e do gás: por aí pode passar luz ou o contrário, sombra e os vapores daquilo que não vai ser (filigranas, lembranças, coisas perdidas, como pequenos objectos). Estamos desatentos à caminhada dos objectos e ao ruído das coisas. E no entanto.

Depois há mais uma vez as pequenas histórias do dia:
Vamos relembrar: (...). hhh. Sim. Sim... Não. Não. Decisões.
As inevitabilidades e as pequenas contingências. Aprender a desaprender, como se se tratasse de corpos, mas estamos a falar de marcas. Só isso, nada mais. Nem sequer na pele, à superfície da pele, nada que não se possa apagar com uma água morna.

Encontros e reencontros.
Por aqui devia ter começado, mas é como o leite entornado, ou uma torrada queimada, só nos lembramos depois.
É com o mesmo encantamento com que folheio as páginas de alguns livros e aqui vão meia dúzia de autores mesmo ao acaso: Fante, Auster, Baudelaire, Saramago (ah, esse bem-amado), Rilke, Hampâté Bá. Porque há tantos, mas cada vez menos: como um carro que não parasse de desacelerar.
Este blogue que está no meu blogroll, desde sempre: um viajante, sobre a pálpebra da página.

foto: Helen Levitt Frame Christies

sombras e luz: Dan Flavin na Coleçção Panda




Ontem, inauguração de Dan Flavin na Colecção Panda, no Museu Berardo:
"A Colecção Panza estende-se – e é mostrada – de Nova Iorque a Los Angeles, de Bilbao a Varese. Sendo regularmente exibida em instituições de referência, é constituída por um conjunto de obras incontornáveis, que explicam as mudanças de paradigma mais importantes que a arte viveu nas últimas décadas, com destaque para a Arte Minimal, a Arte Conceptual e a Arte Ambiental."
"A luz é um elemento fundamental para a vida, e ainda mais essencial na arte. Na história da arte, os artistas sempre estiveram preocupados em criar a ilusão da luz,
recorrendo aos contrastes entre cores claras e escuras. Todavia a luz nunca tinha sido utilizada como tal, mas sempre como um meio para tornar as coisas visíveis: o que não é, de modo algum, a luz. Esta necessidade de ter ou de ver a luz como uma realidade em si sempre foi um desejo fundamental; contudo sempre faltaram as oportunidades, e faltou sobretudo uma visão intelectual que permitisse introduzir a luz como realidade numa obra de arte: portanto, a presença da luz sempre foi indirecta. Mas depois das experiências com cores de artistas como Mark Rothko, em cujas obras a cor e a luz têm um papel fundamental, nasceu em Nova Iorque a
intenção de utilizar a luz como elemento real." G. Panza

Alguns elementos que destaco: este poço de luz rosa e anéis de fumo, de Bruce Nauman. É para ver.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago

in Provávelmente Alegria, Editorial CAMINHO, Lisboa

A coisa Berlusconi, em o Caderno de Saramago

"Não vejo que outro nome lhe poderia dar. Uma coisa perigosamente parecida a um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda num país chamado Itália. Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país de Verdi se um vómito profundo não conseguir arrancá-la da consciência dos italianos antes que o veneno acabe por corroer-lhes as veias e destroçar o coração de uma das mais ricas culturas europeias. Os valores básicos da convivência humana são espezinhados todos os dias pelas patas viscosas da coisa Berlusconi que, entre os seus múltiplos talentos, tem uma habilidade funambulesca para abusar das palavras, pervertendo-lhes a intenção e o sentido, como é o caso do Pólo da Liberdade, que assim se chama o partido com que assaltou o poder. Chamei delinquente a esta coisa e não me arrependo."

ler mais em O caderno de Saramago

Domingo, 7 de Junho de 2009

libélulas, pirilampos (e a lua lá fora)

escrever no quadro: eleições europeias e lista de tarefas para as legislativas

Bem, os resultados são no mínimo surpreendentes. Vão dar que pensar ao PS:
pequenas listinha de sugestões para as legislativas, vamos escrever no quadro:
1. acabar com
• compadrios
• arrogância
• falta de transparência
• boisismo e girlismo

2. Investir na:
• competência (nomeando gente competente e não políticos)
• transparência
• luta contra a corrupção e o enriquecimento ilicito,
• inovação nas politicas sociais e politicas de emprego (pode fazer melhor)
• melhoria substancial das políticas de cooperação

3. Manter
• as posições políticas corajosas (nomeadamente não cedendo aos corporativismos)
• inovação nas políticas energéticas

4. dar exemplos
• andar de bicicleta, em transportes públicos ou com carros ecológicos
• não favorecer amigos e parar de encher as empresas públicas e semi-públicas de filhos, netos, afilhados, sogras: é verdade que aí está bem acompanhado pelo PSD e o PP

esta listinha, está óbviamente incompleta. é só para mandar alguém ao quadro, e sujar as mãos com giz.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

India, Diário de Viagens




Mais um delicioso caderno de viagens de Enrique Flores,do blog 4 cosas

Mali: a primeira declaração de direitos humanos no século XIII



Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos comemorou os seus 60 anos (10 de Dezembro de 1948), vale a pena descobrir a carta de Kurukan Funga, ou carta de Mandé, a primeira declaração dos direiros humanos, criada em 1236 no Mali.
Algo que nos permite relativizar os feitos e os exemplos do Ocidente...

ler mais em Africamix
imagem Africamix

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Capilé na Praça




A correr, muito trabalho e no meio dos livros (de trabalho), escrita, escrita, escrita, deu tempo para ir tomar um capilé, sim, leram bem, um CAPILÉ, bebida em via de extinção, no quiosque do Principe Real. Dois dedos de conversa enquanto ali perto as crianças brincam nos baloiços e escorregas.
E bastam dois minutos para o mundo se recompor.

Já à tarde, e com este calor tropical, subida e descida até ao Chiado, onde se comeram uns deliciosos croissants de chocolate e apreciaram as vistas: música, pessoas, luz a bater nos telhados, Igrejas ainda com gente, e sobretudo imensa passagem para cá e para lá.
No Carmo preparam-se os arraiais e anda tudo num rebuliço, escadotes, bancadas, iluminações.
Volto ao trabalho e lá fora, como sempre, os pássaros jogam à apanhada.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Antes de sair

Pinheiros, trabalho, Tejo e Mar, escola, corrida, mas:
What a wonderful world.






Dois novos blogues a visitar:

Africamix, excelente, para quem se interessa por África
e
comboio Lisboa, ponte Portugal-Brasil

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

diário de uma ausência




tenho saudades dos dias que estão para vir.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Gémeos, tempos e sombras


Ontem, quando cheguei, tarde, li o texto do Saramago. E a noite ficou como que embalada por palavras tão grandes que não cabem na caixa de fósforos que é o post de um blog.
Depois, há os caminhos gémeos, e as notas de incertezas, os tais vaga lumes que produzem luz e desaparecem: são pequenas constelações, intermitências (da vida) que imitam o barulho das ondas, mas todos sabemos que o som do universo não se contem numa única onda (para tal são preciso pelo menos oito oceanos, e alguns ainda por inventar).
Mas os dias têm pernas, olhos, vozes e ventre.
E papel.

imagem: colégio pedro V

Rush Hour, Morning and Evening, Cheapside


Rush Hour, Morning and Evening, Cheapside (2005), de Marc Lewis, a ver absolutamente.

"It is rush hour: everyone is hurrying to work. And later to their homes.
Shadows are the main actors in the pictures of everyday life recorded by artist and film-maker Mark Lewis in London’s financial district. They generate a shift in perspective on pedestrians in the urban space, reminiscent of both Gustave Caillebotte’s oil painting Paris Street, Rainy Day (1877) and photographs taken in the urban space. With shadows as protagonists, reference is made to the medium of film, i.e., its recording methods. In his work Mark Lewis often reflects on the influence of the shadow motif on visual culture: „From the moment that shadows were first traced on walls, the history of painting has been one of trying to understand movement and to depict it in the stillness of a picture.“ (Lewis) In a certain sense the film implements the ambition of painting to move (itself); at the same time calling into question what is traditionally defined as a picture." documenta

via documenta

Domingo, 31 de Maio de 2009

Sem tempo, mas...





Foto: jumping rope Helen Levitt

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Hoje: dia da Prima Vera



Hoje: é só um dos dias mais importantes do ano e da minha vida.

o mar na cidade



A noite de ontem? o mar na cidade, era assim que os barcos entravam pelo CCB a dentro, com cheiro a algas e a limo, para a inauguração desta exposição
Photoespana2009, Cristobal Hara, Mabel
Pallacín